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terça-feira, 5 de janeiro de 2016
Lenda do Curupira
O Curupira gosta de sentar na sombra das mangueiras para comer os frutos. Lá fica entretido ao deliciar cada manga. Mas se percebe que é observado, logo sai correndo, e numa velocidade tão grande que a visão humana não consegue acompanhar. "Não adianta correr atrás de um Curupira", dizem os caboclos, "porque não há quem o alcance".
A função do curupira é proteger as árvores, plantas e animais das florestas. Seus alvos principais são os caçadores, lenhadores e pessoas que destroem as matas de forma predatória.
Para assustar os caçadores e lenhadores, o curupira emite sons e assovios agudos. Outra tática usada é a criação de imagens ilusórias e assustadoras para espantar os "inimigos das florestas".
Estava o Curupira andando pela floresta, quando encontrou um índio caçador que dormia profundamente. O Curupira estava com muita fome e cismou em comer o coração do homem. Assim, fez com que ele acordasse. O caçador levou um susto, mas como ele era muito controlado, fingiu que não estava com medo. O Curupira disse-lhe:
- Quero um pedaço de seu coração!
O Caçador, que era muito esperto, lembrando-se que havia atirado num macaco, entregou ao Curupira um pedaço do coração do macaco. O Curupira provou, gostou e quis comer tudo.
- Quero mais! Quero o resto! – pediu ele. O Caçador entregou-lhe o que havia sobrado, mas, em troca, exigiu um pedaço do coração do Curupira.
- Fiz sua vontade, não fiz? Agora você deve dar-me em pagamento um pedaço de seu coração, disse ele.
O Curupira não era muito esperto e acreditou que o Caçador havia arrancado o próprio coração, sem ter sofrido nenhuma dor e sem haver morrido.
- Está certo, respondeu o Curupira, empreste-me sua faca.
O Caçador entregou-lhe a faca e afastou-se o mais que pôde, temendo levar uma facada. O Curupira, porém, estava sendo sincero. Enterrou a faca no próprio peito e tombou, sem vida. O Caçador não esperou mais, disparou pela floresta com tal velocidade que deixaria para trás os bichos mais velozes…Quando chegou à aldeia, estava com a língua de fora e prometeu a si mesmo não voltar nunca mais à floresta. Pensou: “Desta escapei. Noutra é que não caio”
Durante um ano, o índio não quis saber de entrar na mata. Quando lhe perguntavam por que não saía mais da aldeia, ele se desculpava, dizendo estar doente.
O Caçador tinha uma filha que era muito vaidosa. Como haveria uma festa dentro de poucos dias, ela pediu ao pai um colar diferente de todos os que ela já tinha visto.
O índio, pai dedicado, começou a pensar num modo de satisfazer o desejo da filha. Lembrou-se, então, dos dentes verdes do Curupira. Daria um bonito colar, sem dúvida.
Partiu para a floresta e procurou o lugar onde o gênio havia morrido. Depois de algumas voltas, deu com o esqueleto meio encoberto pelo mato. Os dentes verdes brilhavam ao sol, parecendo esmeraldas.
Conseguindo vencer o receio, apanhou o crânio do Curupira e começou a bater com ele no tronco de uma árvore, para que se despedaçasse e soltasse os dentes.
Imaginem a sua surpresa quando, de repente, viu o Curupira voltar à vida! Ali estava ele, exatamente como antes, parecendo que nada havia acontecido!
Por sorte, o Curupira acreditou que o Caçador o ressuscitara de propósito e ficou todo contente:
- Muito obrigado! Você devolveu-me a vida e não sei como agradecer-lhe!
O índio percebeu que estava salvo e respondeu que o Curupira não tinha nada que agradecer, mas ele insistia em demonstrar sua gratidão. Pensou um pouco e disse:
- Tome este arco e esta flecha. São mágicos. Basta que você olhe para a ave ou animal que deseja caçar e atire. A flecha não errará o alvo. Nunca mais lhe faltará caça. Mas, agora, ouça bem: jamais aponte para uma ave ou animal que esteja em bando, pois você seria atacado e despedaçado pelos companheiros dele. Entendeu?
O índio disse que sim e desde aquele momento não mais lhe faltou caça. Era só atirar a flecha e zás! O bicho caía. Tornou-se o maior caçador de sua tribo. Por onde passava, era olhado com respeito e admiração.
Um dia, ele estava caçando com outros companheiros que não tinham mais palavras para elogiá-lo. O índio sentiu-se tão importante que, ao ver um bando de pássaros que se aproximava, esqueceu-se da recomendação do Curupira e atirou…
Matou somente um pássaro e, como o Curupira avisara, foi atacado pelo bando enlouquecido pela perda do companheiro.
De seus amigos, não ficou um: dispararam pela floresta, deixando-o entregue à própria sorte.
O pobre índio foi estraçalhado pelos pássaros. A cabeça estava num lugar, um braço no outro, uma perna aqui, outra longe… O Curupira ficou com pena dele. Arranjou cera e acendeu um fogo para derretê-la. Depois recolheu os pedaços do Caçador e colou-os com a cera. O índio voltou à vida e levantou-se:
- Muito obrigado! Não sei como agradecer-lhe!
- Não tem o que agradecer, respondeu o Curupira, mas preste atenção. Esta foi a primeira e última vez que pude salvá-lo! Não beba, nem coma nada que esteja quente! Se o fizer, a cera se derreterá e você também!
Durante muito tempo, o índio levou uma vida normal. Ninguém sabia do acontecido. Um dia, porém, sua mulher lhe serviu uma comida quente e apetitosa, tão apetitosa que o índio nem se lembrou que a cera poderia derreter-se. Engoliu a comida e pronto! Não só a cera se derreteu, mas também o próprio índio.
Fonte : lendasdobrasil
domingo, 13 de dezembro de 2015
Cão do Inferno
Essa história vem me perturbando há alguns anos, pois aconteceu diretamente comigo eu jamais tinha pensado que algo assim iria acontecer comigo nunca questionei quem acreditasse em demônios espíritos ou coisas do tipo, mas preferia deixar essas coisas quietas. Tudo começou em um dia normal eu estava conversando com meus amigos quando um deles mencionou que não estava conseguindo dormir direito eu perguntei porque, mas a resposta dele me surpreendeu ele disse que faz alguns dias que ele tem sido visitado todas as noites por um cão preto que simplesmente parava perto da sua cama e ficava olhando para ele e quando ele se virava o cão sumia todos riram menos eu normalmente eu riria, mas algo me manteve serio para disfarçar eu disse para ele com um ar sarcástico se algo te incomodar a noite me liga que eu vou lá te salvar e, mas uma vez todos riram menos eu alguns dias depois vários outros amigos meus que não tinha contato entre si disseram ter visto o cão um dia eu fui pela primeira vez na casa nova do meu pai em cabo frio eu adorei era uma casa com um quintal grande, mas algo me chamou a atenção o cão da casa cabia perfeitamente na descrição dos meus amigos um cão preto e grande a noite quando todos da casa estavam dormindo o cão começou a. Latir eu acordei e fui ate a porta quando me viu o cachorro correu puxou a toalha da mesa que tinha uma garrafa de álcool e uma caixa de fósforos do churrasco fez como uma sacola e saiu correndo levando o álcool e a caixa de fósforos enrolados na toalha o cão pulou o muro E eu fui atrás dele pela rua até que ele parou no cruzamento entre quatro ruas e começou a cavar e desenterrou uma caixinha de metal parecia um porta-jóias dentro tinha uma foto de um homem um maço de cabelos ossos de galinha e um papel que eu não consegui ler, pois a tinta estava borrada eu abri a trouxa que o cão avia feito com o pano da mesa e dentro tinha os fósforos e o álcool eu perguntei ao cachorro se ele queria que eu queimasse a caixinha ele fez que sim com a cabeça então eu queimei quando eu me virei para olhar o cachorro ele avia sumido eu voltei para casa do meu pai com um ar de alivio e fui dormir no dia seguinte meu celular tocou era aquele meu amigo que eu avia mencionado anteriormente ele disse que na noite anterior apareceu um homem no quarto dele e disse para ele me dizer obrigado. PS: Isso não aconteceu comigo, mas a historia e verdadeira e aconteceu com um garoto de 12 anos no ano de 1987.
Postado por Richard
Corpo Seco
O "Corpo Seco" é uma assombração cuja lenda, relativamente recente, de meados do século XX, é contada em São Paulo. "Nem a terra aceita receber as pessoas que maltratam seus pais". Este foi um homem chamado Zé Maximiano, morador do município de Monteiro Lobato, região da Serra da Mantiqueira, conhecido por bater no pai e na mãe.
Quando morreu, supostamente de "morte matada" (assassinado), foi enterrado no cemitério Municipal, porém, foi rejeitado pela sepultura e passou a assombrar o local. Por este fato acharam por bem transferir o corpo para um lugar ermo e, por recomendação do padre da cidade, decidiram por uma gruta cuja entrada era delimitada por um córrego, pois, a lenda dizia que tal entidade não atravessa a água. Um amigo do defunto, Pedro Vicente, encarregou-se de fazer o transporte. O corpo foi colocado em um balaio e, ainda por recomendação do padre, Pedro levou consigo uma vara de marmelo, pois havia risco do morto se rebelar e, nesse caso, o jeito era bater-lhe com a vara. Dito e feito, o Corpo seco tentou agarrar o amigo a fim de matá-lo, mas foi repelido com varadas.
Diz o povo que entes como Corpo seco agem nas noites de sexta-feira à meia noite. Aparece na beira dos rios e açudes e se alguém aparece, pede para ser transportado para a outra margem. Em troca, promete revelar o esconderijo de um tesouro. Seja no barco ou nas costa do benfeitor, quando está no meio do curso d'água, a assombração começa a pesar e assim, afunda pequenas embarcações ou a pessoa que o carrega nas costas matando sua vítima por afogamento. Outros contam que ele fica nas estradas tocaiando os transeuntes dos quais, ao modo dos vampiros, chupa o sangue para se manter na Terra evitando, deste modo, ser tragado para os quintos dos infernos.
Há ainda relatos do Corpo seco nos estados do Paraná, Amazonas, Minas Gerais, em alguns países africanos de língua portuguesa, relatados por soldados brasileiros veteranos da missão UNAVEM III e na região Centro-Oeste do Brasil, principalmente.
Em Ituiutaba, Minas Gerais, há uma variação desta lenda, onde conta-se que o Corpo seco, depois de ser repelido pela terra várias vezes, é levado por bombeiros à uma aparente caverna em uma serra que fica ao sul do município. Dizem que quem passa à noite pela estrada de terra que margeia a "serra do Corpo seco", consegue ouvir os gritos do Corpo seco ecoando de dentro da caverna. Nesta versão a mãe o amaldiçoa antes de morrer, por ter sido usada como cavalo pelo filho.
sábado, 12 de dezembro de 2015
A Brincadeira do Copo - Parte 3
Se você ainda não leu a parte 1 e 2 clique nos links abaixo.
Parte 3 – Na Caverna
Bárbara andava não agüentou o cansaço e dormiu antes do amanhecer. Segundos depois começou a sonhar. Ela estava com a roupa do hospital e descalça. Estava caminhando em uma estrada de terra cercada de arvores dos dois lados. Era noite e a única luz presente vinha da lua nova no céu. Ela estava sozinha, andando sem rumo, até que avistou a silhueta de uma pessoa no horizonte. Ela correu em direção a pessoa e ao aproximar-se viu que se tratava de sua avó que havia falecido dois anos atrás.
“Vovó Emilia?” – disse ela com voz tremula.
Sem dizer nada sua avó abriu os braços. Barbara foi ao seu encontro e a abraçou. As duas se emocionaram e lágrimas escorreram por seus rostos.
“Venha, vamos andando. Eu vou te contar algo.” – disse a senhora levando Bárbara pelo braço. “Algumas pessoas vêm ao mundo com missões especiais e carregam dentro de si um poder muito forte, muitas falham e outras não. Mas todas sentem o chamado do dever no momento certo, ou quase todas. O poder que há em você despertou muito antes da hora, por uma boa causa, mas antes da hora. O mundo é assim, coisas inusitadas acontecem a todo momento. Eu estou aqui para te dizer que você tem que entender que você tem esse poder e que você deve acreditar em si para usá-lo. O que você fez dentro daquele quarto de hospital foi algo raro. Artur também tem um poder dentro dele, mas é diferente do seu. Mais para frente ele vai entender, mas nesse momento o demônio quer usá-lo para seu próprio interesse.”
Emilia segurou o rosto de sua neta com força e olhou-a nos olhos.
"Entenda isso querida. Só você, pode salvar seus amigos. Muitas vidas dependem disso. Por conta daquela “brincadeira” vocês criaram algo muito perigoso.”
“Como vó? Eu não sei como. Eu estou com medo, acho que não sou a pessoa certa. Alguém tem que me ajudar.”
“Você é inteligente, você vai encontrar uma maneira. E se você não for a pessoa certa, acho que estamos em sérios apuros.” - respondeu Emilia desaparecendo no ar.
Bárbara acordou com um pulo. Sua mãe estava a seu lado com o médico.
“Boas notícias filha. O doutor acabou de te dar alta.” – disse Sofia sorrindo para a filha.
Sem prestar muita atenção nos dois, Bárbara pegou seu celular e ligou para Artur, mas deu na caixa de mensagens. Em seguida ligou para o celular de Caio e José e também estavam desligados. Ligou para a casa de Artur, uma mulher atendeu.
“Oi dona Silvia. Aqui quem fala é a Bárbara. O Artur se encontra em casa?”
“Não, está na escola. Você está melhor?” – respondeu a mãe de Artur.
“Estou sim, obrigada. Me desculpe, eu estou meio perdida no tempo. Que dia é hoje?”
“Quinta-feira .”
“A senhora pode pedir para o Artur me ligar assim que ele chegar em casa?”
“Claro. Melhoras para você.” – respondeu a mulher, desligando logo em seguida.
Recebendo alta do hospital Bárbara e sua mãe foram direto para casa. Bárbara disse que iria descansar um pouco mais e foi para o seu quarto. Ela deitou na cama e começou a pensar em um jeito de acabar de vez com essa história. Seu computador que ficava de frente para sua cama estava ligado com o navegador de internet aberto em sua página inicial, o Google.
“Ah, a melhor invenção desde o ar condicionado!” – exclamou.
Sentando-se em frente ao computador ela começou sua busca por explicações e informações sobre o tabuleiro ouija. Entrando página por página, link após link e lendo um monte de matérias imprestáveis ela começou a ficar frustrada. Mais de quatro milhões de resultados, poderia levar meses para descobrir alguma informação valiosa. Mesmo assim ela poderia tentar alguma das dicas que tinha lido. Uma página dizia para jogar água benta no tabuleiro, outra dizia para queimar o tabuleiro e enterrar as cinzas e outra dizia que para ficar livre do espírito era só jogar o tabuleiro fora.
Nenhuma dessa dicas a convenceu e ela seguiu procurando. Ela acabou achando um site em espanhol que chamou sua atenção. Finalmente ter freqüentado o cursinho de espanhol forçada por sua mãe serviria para alguma coisa. Neste site ela leu uma história contando os eventos parecidos com o que havia ocorrido com ela e seus colegas. O fato havia ocorrido no México. Um grupo de rapazes foi acampar em um local onde houve um suicídio em massa. O local foi escolhido pelo espírito. Lá um dos rapazes foi possuído e com suas próprias mãos matou alguns de seus amigos. Um deles tropeçou em uma mochila e acidentalmente caiu em cima do copo utilizado para a brincadeira. O copo ficou em pedaços. Nesse momento o espírito perdeu o controle sobre o jovem.
O celular de Bárbara tocou. Na tela apareceu o nome de Artur e ela atendeu rapidamente.
“Bárbara, fiquei sabendo que você saiu do hospital. Eu, José e o Caio estamos entrando na cave agora e...” – falou Artur sendo interrompido por Bárbara.
“Escuta, sai daí agora. Venha para minha casa.” – disse Bárbara.
“Conexão...cave...ruim...vem...”
“A ligação ta cortando, sai da cave.” – gritou.
Sem obter resposta, ela saiu do quarto desesperada. Ela procurou sua mãe, mas não a encontrou. Decidiu ir até a cave de bicicleta, em dez ou quinze minutos estaria lá.
Enquanto isso ou demais entravam na cave. Eles foram instruídos a ir até no final da caverna onde a escuridão era total e ninguém os encontraria. Chegando ao local dito por Mestre eles colocaram o tabuleiro no chão. Apagaram as lanternas que usaram para chegar até lá e acenderam algumas velas. Os três se sentaram em volta do tabuleiro e colocaram suas mãos no objeto circular no centro.
“Mestre, você está entre nós?” – perguntou Artur.
O objeto começou a tremer e começou a mover-se e girar. Foi até o número 6, afastou-se um pouco e voltou ao número 6, afastou-se novamente e voltou ao número 6. O objeto voltou ao centro e ficou lá por alguns segundos. Novamente voltou a mover-se formando o número 666 continuamente. Os três rapazes se entreolhavam assustados. Eles sabiam o que aquele número representava.
As velas se apagaram. Nada podia ser visto. Algum deles retirou a mão do objeto do tabuleiro.
“Quem tirou a mão do copo?” – perguntou José.
“Não fui eu.” – respondeu Caio. “Artur foi você?” – completou.
“Sim, chegou a hora de começar a diversão.”
A voz veio da direção onde Artur estava sentado, mas os outros rapazes sabiam que aquela não era sua voz.
A vela próxima de onde Artur estava sentado acendeu-se. José e Caio olharam para Artur com terror. Seu rosto estava pálido e estava alongando-se. Artur sorriu, agora com dentes pretos e pontiagudos. Ele colocou o dedo indicador sobre seus lábios negros, dizendo aos demais para ficarem em silêncio. Seus dedos também tinham alongado e agora estavam o dobro do tamanho de um dedo normal. Suas unhas mais pareciam garras com uns cinco centímetros cada com a ponta como de um punhal.
Ele jogou sua cabeça para trás fazendo seu pescoço estalar. Olhando para Caio ele levantou-se fazendo um sinal para que o rapaz ficasse quieto.
“Eu não preciso mais de você.” – disse Artur.
“Artur, o que você está fazendo?” – Perguntou Caio.
“Artur? Não, seu amiguinho agora é só um expectador, seu mestre é quem está no comando. O mais excitante de tudo é que ele verá tudo acontecer, mas será impotente de ajudar vocês de qualquer maneira.” – disse mestre.
Agachando, Mestre pegou Caio pelo pescoço. O rapaz se esforçava para livrar-se de mestre, mas a força que ele tinha era imbatível. José pulou nas costas de Mestre gritando e unhando suas mãos.
“Solta ele seu desgraçado, volte para o inferno de onde veio.” – gritou José observando Caio ficar roxo.
“Eu vou sim, em breve, e você estará comigo.” – respondeu Mestre dando uma risada macabra.
Mestre jogou o Caio com força em uma pedra. Suas costas atingiram a quina da pedra, fazendo com que sua espinha quebrasse. José, ainda nas costas de mestre, escutou o som dos ossos quebrando e começou a chorar. Com uma facilidade de um humano pegando um filhote de cachorro, mestre segurou os braços de José e o tirou de suas costas. Agora era o pescoço de José que estava sendo pressionado. Ele começou a sufocar. Mestre apertava o corpo de José contra a parede úmida da caverna.
“Eu vou te ensinar a me respeitar. Vou te dar uma chance, da próxima vez que você se virar contra mim eu vou te matar de uma maneira muito desagradável, para você é claro. Mas aqui vai uma pequena lição.”
Mestre estendeu seu dedo mindinho da mão esquerda. A unha era tão grande como o dedo. Lentamente ele enfiou a unha dentro do olho direito de José que gritava implorando por misericórdia. Retirando a unha lá de dentro ele a levou até sua boca.
“Ahhh que saudades. Vocês humanos tem um gosto muito bom, não importa que parte.” – disse Mestre olhando para José.
José olhou para o demônio com desânimo. Tudo estava perdido. Mas alguma coisa atrás de mestre chamou sua atenção. Tentando enxergar na escuridão ele não sabia direito o que era. Percebendo o olhar de José mestre o soltou e olhou para trás. Bárbara estava lá de pé, em cima do tabuleiro e segurando o objeto usado como copo em sua mão direita.
“Eu vou acabar com essa merda agora.” – disse ela com ar triunfante.
“Você nem sabe como. Você é só uma criancinha mimada, cheia de dúvidas e querendo atenção.” – respondeu Mestre.
“Vamos testar sua teoria.” – disse Bárbara sorrindo.
Ela jogou o objeto para cima e quando ele caiu em sua mão novamente ela arremessou-o com toda sua força na parede mais próxima de onde estava. Mestre arregalou os olhos, gritou e saltou de forma desumana em direção ao objeto deixando-o escapar somente por alguns centímetros.
Atingindo a parede o objeto estilhaçou-se em pequenos pedaços. Uma luz forte emanou do lugar de impacto. Mestre se contorcia de dor e gritava desesperadamente.
“Um dia eu volto. Você ainda vai me pagar.”
Bárbara assistia aquilo com uma satisfação inexplicável. Aos poucos o corpo de Artur foi voltando ao normal, mas ele estava inconsciente. José estava chorando com a mão em cima do olho perfurado. Caio estava inconsciente.
3 meses depois
Artur abriu os olhos e notou que estava em um hospital. Seu corpo doía e seus membros não respondiam bem a seus comandos. A luz que vinha da janela o incomodava um pouco. Sua visão foi ajustando-se a claridade e ele pôde ver melhor. Bárbara estava sentada em um sofá. Ela estava diferente, muito diferente. Seus cabelos, antes pintados de vermelho agora estavam marrom escuro, a cor natural. Também estavam amarrados como um rabo de cavalo em vez de soltos e despenteados. Ela agora usava um short bege e uma camiseta branca ao invés das calças pretas surradas e blusas rasgadas. Ela já não usava o lápis preto ao redor dos olhos. Agora um óculos retangular cobria seus olhos. Ela estava lendo um livro, LENDO.
“Ei, o que você com a minha amiga?” – disse Artur.
Bárbara olhou para Artur, jogou o livro de lado e sorrindo foi até a cama. Ela colocou a cabeça no peito de do de Artur e o abraçou. Lágrimas escorreram de seu rosto molhando a camiseta do rapaz.
“Eu sabia que você iria melhorar, eu sabia.” – disse Bárbara chorando. “Você é muito dorminhoco.” – completou já mudando seu tom de voz e limpando as lágrimas em seu rosto.
“Há quanto tempo estou dormindo?”
“Três meses. Eu tenho vindo todos os dias para o hospital depois da escola. Caio e José também, eles devem aparecer a qualquer momento.” – respondeu ela.
“E o que aconteceu com você nesse tempo?”
“Resolvi mudar um pouco, aquele visual me deixava com a energia muito negativa.” – respondeu Bárbara.
Naquele momento Caio e José entram pela porta do quarto. Artur sentiu seu coração afundar e ele não pôde controlar o choro, apesar de seus amigos sorrirem quando o viram consciente. Caio estava em uma cadeira de rodas e José usava um tampão seu olho.
“Galera, me desculpa. Tudo isso foi minha culpa.” – disse Artur chorando francamente.
“Shhhh.” – disse Bárbara levantando uma mão. “Nós somos tão culpados quanto você. Também nós fizemos um pacto de nunca mais falar nesse assunto, mas também nunca esquecer.”
Com uma das mãos Artur segurou a mão de Bárbara, com a outra passou a mão por seu rosto. Ela o beijou e os quatro riram. Eles sentiam que suas vidas tinham mudado e um sentimento de esperança dizia que para melhor.
FIM
A Brincadeira do copo - Parte 2
Se você ainda não leu a primeira parte clique no link abaixo.
Parte 2 – No hospital
O episódio com os quatro adolescentes foi definido como um acidente causado por uma brincadeira boba. Quando questionaram Bárbara sobre o que tinha acontecido ela disse que, no escuro, tropeçou e caiu várias vezes, esbarrando nas cadeiras. Ela preferiu não contar a verdade, pois quem iria acreditar que com uma brincadeira eles haviam evocado um espírito do mau?
Bárbara estava almoçando quando viu Artur, José e Caio entrarem pela porta de seu quarto no hospital onde se recuperava. Ela sentiu um aperto forte no coração, algo estava errado. Os três, que alguns dias antes eram alegres, fortes e vivos agora pareciam zumbis. Estavam pálidos, com os olhos fundos e andavam curvados.
“Nossa e eu pensando que tinha levado a pior.” – disse ela em seu tom brincalhão.
Ninguém riu. Seus olhares desesperados contavam que algo muito ruim estava acontecendo. Artur foi o primeiro a se aproximar. Ele se aproximou de Bárbara e segurou sua mão. Bárbara notou que ele estava segurando para não chorar.
“Aquela brincadeira foi um erro.” – disse Artur. “Você não faz idéia do que estamos sofrendo. E também pelo que aconteceu com você. Essa entidade que nós evocamos está nos atormentando, todos os dias e todas as noites.” – completou enquanto limpava uma lágrima caindo de seu rosto.
“Vocês tem que contar isso para seus pais. Alguém vai ajudar vocês.” – disse Bárbara.
“Não. Ele disse que se contarmos para alguém nós vamos morrer.” – respondeu Caio.
“Vocês jogaram de novo? Eu não acredito. Que falta de responsabilidade, olha o que aconteceu comigo.”
“Não tivemos escolha. Como eu disse, ele está nos atormentando. O fantasma aparece a qualquer hora ou lugar. Ele não pode se comunicar, mas eu o vejo o tempo todo. Dentro do meu guarda-roupas, no banheiro ou quando estou comendo. Quando durmo tenho pesadelos onde ele me leva para um lugar escuro e no sonho eu viro seu escravo. Ontem eu estava conversando com minha mãe e estava a ponto de contar tudo pra ela, mas ele apareceu. Ficou fazendo gestos como se estivesse cortando o pescoço dela ou a enforcando.” – respondeu José.
“O mesmo esta acontecendo comigo e com o Caio.” – completou Artur. “Eu peguei o tabuleiro e nos reunimos na casa do Caio. Lá o espírito nos disse que só vai nos deixar em paz quando nós fizermos a brincadeira do copo na cave.”
“Não contem comigo, eu já paguei caro pelo meu erro. Acho perigoso vocês o fazerem também, a energia de lá é negativa. Vocês já escutaram as histórias e lendas urbanas que envolvem o lugar. Isso está me cheirando como uma armadilha.” – disse Bárbara.
“É verdade. Mas que escolha nós temos? Eu tenho medo de contar para algum adulto e ele acabar saindo machucado, ou pior. Se não formos ele nunca irá nos deixar em paz.” – disse José.
Enquanto os outros conversavam, Caio afastou-se do grupo e andou em direção a janela. Eles estavam no sexto andar do hospital e a paisagem que se via era linda e hipnotizante. Uma vontade de pular repentina correu por seu corpo. Ele não entendia aquele sentimento, mas pensava que saltar o faria sentir-se livre. Algo como solucionar um problema sério ou ler a última página de um livro ruim. Aquela sensação foi crescendo dentro dele e seguindo um instinto incontrolável ele subiu na poltrona que ficava a beira da janela. Alguém chamou seu nome com um grito. Ele sabia que era um grito pelo tom, mas a voz chegou abafada em seu ouvido. Ele decidiu que não era importante dar atenção ao chamado e colocou uma perna para fora da janela.
Todos gritaram e correram em direção a Caio. Bárbara foi a primeira. Ela saltou já em direção a janela. A agulha do soro presa ao seu braço rasgou sua pele. Ela gritou, mas sem hesitar por um segundo alcançou a camisa de Caio e o segurou firme. Os demais finalmente chegaram para ajudá-la a segurar o corpo de caio que todavia pendia para fora. Eles puxaram o rapaz para dentro e o deitaram no chão, segurando-o com força.
Piscando os olhos Caio parecia voltar a si. Com olhos confusos ele observou os três segurando-o ao chão. Percebendo que ele parecia voltar a si seus amigos o soltaram.
“O que aconteceu Caio?” – perguntou Artur.
“Eu não sei, não consigo explicar. Em um momento eu estava aqui, no outro eu estava na janela prestes a pular. Um sentimento mais forte que me dizia para pular. Que estranho. Se não fosse por vocês eu estaria morto.” – respondeu Caio com voz tremula e olhos cheios de lágrimas.
Todos se viraram para Bárbara que segurava seu braço tentando estancar o sangue que saia do corte feito pela agulha quando ela pulou para salvar Caio. Ela franziu a testa.
“É só um corte bobo, vocês tem coisa muito mais importante para se preocuparem.” – respondeu com um tom áspero.
Artur sentiu um frio na barriga. Uma vontade de abraçá-la. Observou com detalhes seu rosto branco e seus lábios pequenos e rosados. Bárbara era durona e as vezes mal encarada, mas ele sabia que por baixo de toda aquilo havia uma menina insegura e doce. Ele sentiu seu rosto queimando e sabia que estava vermelho. Com sorte ninguém iria notar. Será que ele estava se apaixonando por ela? Ele chacoalhou a cabeça e desviou seu pensamento.
“Talvez depois que isso tudo estiver terminado.” – pensou.
Depois de algumas horas discutindo possíveis soluções para o problema e sem chegar a uma resolução os três rapazes foram embora. Logo depois, Sofia, mãe de Bárbara, chegou ao hospital.
“Oi filhóta.” – saudou Sofia. “Mamãe veio dormir com você.” – completou apertando a bochecha da filha que franzindo a testa tirou a mão da mãe de seu rosto. “Você está estressada nenê? Olha o que eu trouxe pra para a janta.”
Sofia retirou da sacola um hambúrguer e uma batida de morango. Bárbara como sempre tentou disfarçar a felicidade, pois gostava de fazer papel de durona até para sua família, mas sua mãe a conhecia bem. Cedendo finalmente a alegria de ver aquele x-tudo e o batida de morango ela abriu um belo sorriso.
As duas comeram e conversaram sobre diversos assuntos e assistiram televisão. Quando o hospital começou a ficar mais silencioso elas se prepararam para dormir. Sofia ajeitou-se no pequeno sofá do quarto.
“Mãe, a senhora acredita em vida após a morte?” – perguntou Bárbara.
“Eu não sei filha. Eu procuro não pensar nisso. Você sabe, seus avós são católicos então eu ia a igreja quando era pequenas, mas na verdade não sei em que acreditar. Por que você esta perguntando?”
“Quando eu tive o acidente no auditório eu pensei que eu iria morrer e fiquei com medo. As vezes também tenho medo de espíritos, almas penadas e outras coisas.” – disse Bárbara procurando uma maneira de contar tudo para a mãe.
“Não tenha medo filha. Eu nunca vi ou senti nada, mas também nunca procurei. Eu acho que essas coisas são melhores se são deixadas em paz. E sobre a morte eu penso que se existe vida após a morte deve ter algo bom pra mim do outro lado, pois eu tenho a consciência limpa. Se não existe eu não saberei, pois estarei morta. Então pra que me preocupar.” – disse Sofia.
“A senhora tem razão. Boa noite.” – respondeu Bárbara.
As duas dormiam profundamente. Mestre, como gostava de ser chamado, andava de um lado para o outro no quarto do hospital pensando em alguma maneira de atormentar a vida delas e neutralizar Bárbara. Ele sabia que ela era uma ameaça ao seu plano.
Ele era uma entidade demoníaca. Andava pela terra trazendo desgraça e sofrimento para as pessoas. Havia pouco que podia fazer em sua verdadeira forma. A surra que havia dado em Bárbara veio a grande custo. Materializar-se para tal feito não era fácil. Exigia energia acumulada por anos. Mas ele sabia que compensava, pois Artur era a conexão perfeita com o mundo material para poder continuar sua obra de terror.
Ele sentia um grande poder em Bárbara. Ela tinha uma personalidade forte e uma força de vontade rara. Mas não era só isso, algo mais, mas ele não podia entender o que era. De qualquer maneira, ela era uma ameaça e ele tinha que acabar com ela ali mesmo.
Mestre estava fraco para executar um assassinato sozinho. Sufocar-la seria simples, mas ele não conseguiria materializar-se o suficiente para segura-lá a cama e tampar sua boca e nariz ao mesmo tempo. Ele começou a enviar energias negativas para todos os lados requisitando ajuda de outras entidades. Não seria difícil conseguir, pois haviam muitos pelo mundo que o deviam favores. Não era incomum a troca de favores e o trabalho em grupo. Algumas atividades exigiam legiões inteiras para serem executadas.
Em questão de segundos, mãos saíam de baixo da cama entrelaçando Bárbara como correntes. Ela acordou imediatamente, tentou gritar, mas Mestre já tinha materializado suas mão e agora cobria não só a boca, mas também o nariz de Bárbara.
Sentindo-se vitorioso Mestre sorri desfrutando o momento, mas algo inesperado ocorre. Bárbara para de se debater e sua aura começa irradiar luz. Com o quarto mais iluminado ela pôde ver a imagem de mestre. Ele era horroroso, mas ela com seu bom humor imaginou que ele poderia ser o filho do Frankenstein com o Corcunda de Notre Dame. Mestre escuta os pensamentos de Bárbara e sente debaixo de suas mãos que a boca, que antes procurava desesperadamente por ar, agora sorria.
Uma fúria incontrolável se apoderou de Mestre, ele foi perdendo sua concentração e suas mãos começaram a desmaterializar, fazendo com que a entidade ficasse mais furiosa. Nesse momento o inimaginável aconteceu. Mestre sentiu que Bárbara estava em sua mente. Pela primeira vez em milhares de anos era ele quem estava sendo invadido e dominado.
Bárbara sentiu seus pulmões enchendo-se de ar novamente. Aliviada ela olhou para Mestre que parecia estar furioso. Ela o olhou nos olhos tentando imaginar o que ele queria. Uma imagem começou a se formar em seu pensamento. O sorriso que estava em seu rosto começou a desfazer-se.
Na primeira imagem, um homem estava carregando uma cruz passando por um corredor formado por uma multidão. Outros vinham atrás segurando chicotes na mão. Mestre estava ali. Ele não podia ser visto pelos demais, mas gritava dando ordens aos carrascos para seguir machucando o homem carregando a cruz. A imagem desfez-se.
Na segunda imagem, homens com trajes medievais lutavam entre sim. Soldados invasores trancavam as pessoas em suas casas ateando fogo ao teto de palha. As mulheres eram levadas para uma carroça fechada com grades de madeira enquanto esperneavam. Outra vez mestre estava ali gritando ordens de ódio.
Na terceira imagem, soldados vestidos de verde, com uma faixa com a cruz suástica amarrada no braço esquerdo estavam em volta de uma mesa onde observavam um mapa. Um homem de cabelo oleoso penteado de lado e com um bigode pequeno, apontava o mapa dando ordens a seus subordinados. Mestre estava ao seu lado sussurrando ao seu ouvido.
A quarta imagem mostrava o mundo mais moderno, o atual. Dois rapazes vestidos com sobretudos pretos e longos andavam por uma escola. Ao entrar em uma sala de aula eles abriram o sobretudo, sacando armas e matando vários de seus colegas. Novamente Mestre estava lá gritando e dançando ao som de gritos desesperados e armas de fogo.
A próxima imagem mostrava Artur e José caminhando por um shopping com cara de suspeitos. Cada um deles carregava uma mochila que parecia muito pesada. Antes que a imagem prosseguisse Bárbara começou a tremer. A vontade de acabar com Mestre foi aumentando, seu corpo irradiava cada vez mais luz até que uma explosão de energia vinda de seu corpo irradiou todo o quarto. Mestre a olhava confuso e com medo.
“Eu não vou deixar.” – disse ela.
Mestre e todas as mãos que a seguravam desapareceram do quarto. Bárbara olhou para sua mãe que estava dormindo sem saber de nada que estava acontecendo. O relógio ainda apontava cinco da manhã. Ela iria esperar amanhecer e contar tudo aos demais.
Enquanto isso, Mestre estava nos confins da Cave. Tudo havia mudado. Como iria executar seu plano agora? Ele sabia que o mundo estava cheio de gente com poderes como o de Bárbara, mas ele sempre tomava cuidado para não se aproximar de uma delas. O poder da garota estava adormecido e ele o havia despertado. Maldição. Agora mais do que nunca ele não podia falhar ou poderia sofrer sérias conseqüências. Ele não iria falhar.
Agora sua única chance de sucesso seria pressionar os três rapazes a fazerem a brincadeira do copo na caverna antes de Bárbara contar o que havia visto ou pudesse intervir. Uma vez que conexão com Artur fosse completa e o rapaz seria seu escravo até a morte.
Para ler a parte 3 clique no link abaixo.
A brincadeira do copo - Parte 3
Posted by Paulo Enrique Garcia
Brincadeira do Copo
Este é um conto especial para o Halloween e está dividido em três partes. A segunda parte será postada sexta-feira dia 25 e a parte final no dia 31 que é o dia do Halloween.
A história foi baseada na conhecida lenda urbana da brincadeira do copo. Espero que gostem.
Parte 1 – Na Escola
Artur é um adolescente que todos consideram atentado, mentiroso, desafiador, problemático e enxerido. Ele esta sempre se metendo em encrenca e levando outros junto. Ele gosta de invadir casas abandonadas, ir a lugares proibidos e fazer tudo que os adultos dizem que não pode ou é perigoso. Artur vai descobrir que certas coisas são melhores quando deixadas quietas.
Quatro adolescentes estavam sentados na biblioteca da escola onde estudavam quando Artur chegou. Todos ali tinham treze ou quatorze anos. Eram três e meia da tarde e apesar de estudarem de manhã, eles estavam ali para fazer um trabalho.
“Fala ai galera.” – disse ele, vendo todos se virarem em sua direção. “Vocês não sabem o que eu consegui.” – continuou tirando uma caixa da mochila. “Isso aqui é um tabuleiro de ouija. Com esse tabuleiro agente pode brincar da brincadeira do copo.
“Agora o Artur pirou de vez?” – Disse uma das garotas. “Nem louca eu vou mexer com isso. To fora, não quero nem escutar o resto.” – completou já se levantando da mesa e saindo.
Os demais esticaram seus pescoços em direção ao tabuleiro.
“Vamos para o auditório, eu vi os alunos da terceira série terminando o ensaio da apresentação do dia das mães e a porta ficou aberta. O zelador só volta para trancar no final da aula.” – disse José, um dos melhores amigos de Artur.
Sem mais nenhuma palavra eles pegaram suas mochilas e foram para o auditório.
O auditório era grande, podendo acomodar facilmente trezentas pessoas ou mais. Na parede da direita ficava um conjunto de janelas com mais ou menos dois metros de altura que iluminavam muito bem o ambiente. Cortinas grossas de veludo azuis estavam amarradas a cada poucos metros. A entrada do auditório por dentro da escola era ao lado do palco. Havia outra entrada pelos fundos do auditório que dava para fora da escola e era acessada por uma sala adjacente, mas era aberta para os pais somente quando havia alguma apresentação. Essa porta era de vidro com grade de ferro trabalhada em desenhos de flores. Eles foram para os fundos de modo que se algum professor ou o zelador entrasse no auditório eles poderiam ficar escondidos atrás dos assentos.
Artur colocou o tabuleiro no chão atrás da última fileira de assentos e todos sentaram ao redor. Eles estavam ansiosos para começar. Alguns sorrindo, outros com medo e sentindo o coração pular dentro do peito, mas com vergonha de dar para trás.
“Certo, agora todo mundo coloca a mão em cima desse objeto aqui.” – disse Artur mostrando um objeto circular com uma seta pintada. “Nós temos que invocar algum espírito. Se concentrem e vamos tentar chamar algum.”
“Deixa eu tentar.” – disse Bárbara, uma das mais loucas ta turma. “Pedimos que algum espírito ou entidade venha falar conosco. Juntem-se a nossa volta e responda a nossas perguntas.” – completou.
Eles se entre olharam esperando que algo acontecesse ou o objeto se movesse. Por vários segundos nada aconteceu, o suspense ficava mais intenso. Um deles estava prestes a dizer algo quando Bárbara gritou. O som de terror fez com que todos saltassem longe, olhando com horror para ela que já dava gargalhadas pela peça que ela tinha pregado nos colegas.
“Mas você é muito idiota mesmo Bárbara. Vai para o inferno.” – resmungou José.
“Eu não estou gostando nada disso.” – disse Caio, o mais franzino e medroso da turma.
“Calma gente, só uma brincadeirinha pra descontrair, vamos começar de novo. Dessa vez é sério e sem brincadeira.” – respondeu Bárbara.
Todos se sentaram novamente em volta do tabuleiro e colocaram as mãos sobre a peça.
“Há algum espírito entre nós?” – Perguntou Artur.
O objeto começou a mover-se lentamente e foi arrastando até a seta apontar para a palavra “SIM”. Eles arregalaram os olhos.
“Não sou eu, se alguém estiver brincando agora é hora de parar.” – disse Bárbara.
“Você pode dar alguma outra manifestação da sua presença?” – perguntou de novo Artur.
Uma pancada alta vinda da janela fizeram todos se assustar. Artur arregalou os olhos e sorrindo continuou.
“A Bárbara vai passar de ano?”
A peça se moveu lentamente para a palavra NÃO.
“A esse ponto do ano e com as minhas notas eu não preciso de espírito nenhum me dizer isso. Agora eu vou perguntar algo sobre você. Espírito, o Artur vai ter uma morte lenta e dolorosa?”
A peça lentamente se moveu para a palavra SIM.
“Você esta passando dos limites Bárbara.” – reclamou Artur franzindo a testa, enquanto os outros tremiam de medo “Você pode nos dizer seu nome, ou te chamamos de espírito?”
A peça novamente começou a mover. Primeiro, moveu-se lentamente até a letra M, depois a letra E, depois S e com uma velocidade anormal completou com as letras TRE.
“Mestre?” – perguntou Bárbara. “Está de sacanagem.” – completou.
“Você não quer deixar o espírito bravo.” – disse Artur. “Mestre, você pode nos responder tudo que queremos?”
Outra vez a peça moveu-se demasiadamente rápido. Todos olhavam com olhos arregalados para o tabuleiro lendo, AQUI NÃO.
“Onde então?” Perguntou Artur.
Bárbara e os outros garotos retiraram suas mãos do objeto. Artur por fim retirou sua mão também e antes que ele pudesse dizer qualquer coisa a peça moveu por si própria. Em um ritmo acelerado o objeto soletrou “CAVE”.
Artur sorriu. Cave era como os adolescentes chamavam uma caverna que ficava em um parque da cidade. Apesar de ser proibido entrar nessa caverna os jovens sempre se reuniam lá para usar drogas ou outros atos de promiscuidade. O lugar em si tinha uma energia negativa que assustava Bárbara que havia ido ao local pouquíssimas vezes.
“Nunca que eu vou entrar na cave pra fazer essa brincadeira estúpida. E vocês também não deveriam. Eu já escutei muitas histórias onde as pessoas se deram mal. Agente não sabe quem ou o que está nos respondendo.”
“Você não quer deixar o espírito bravo, quer Bárbara?” – perguntou de novo Artur.
Antes mesmo que Artur pudesse terminar de pronunciar o nome de Bárbara as cortinas do auditório se fecharam. A escuridão no auditório era completa e o terror começou.
Bárbara sentiu duas mãos tocarem seus ombros com força e arremessando-a longe. Ela foi escorregando no piso de madeira encerado, um de seus tênis voando para o lado. Ela gritou alto, queria falar, mas não encontrava palavras. Ela sabia que não havia sido empurrada por um de seus amigos, nenhum deles tinha tamanha força.
As mãos outra vez lhe tocam, desta vez nos braços. Ela foi puxada, distanciando ainda mais de seus amigos que gritavam seu nome desesperadamente. Bárbara rolou e ficou de bruços para tentar levantar, mas foi detida por uma mão em sua cabeça que puxando seus cabelos, elevou sua cabeça alguns centímetros e logo depois arremessou-a contra o piso. Sangue escorria misturado com suas lágrimas e saliva. Em choque, com dor e sem forças ela se entrega e para de se debater.
Bárbara havia aceitado sua morte. Começou a rezar para que a morte fosse rápida para que seu tormento acabasse. Ela pensou em seus pais. Sendo filha única o sofrimento deles seria insuportável, especialmente para sua mãe. Novamente ela sentiu uma dor excruciante, agora em suas costas. A dor foi seguida de um barulho de chicote. As chicotadas continuaram até que ela, não suportando mais, desmaiou.
O resto da turma não via nada, mas ouvia tudo. Aterrorizados, eles correram para a sala adjacente onde se encontrava a porta de vidro grande que dava para fora da escola. Gritando e esmurrando a porta eles conseguiram a atenção de alguém que passava na rua.
“Moço, socorro. Estamos trancados aqui, avise na secretaria e peça que alguém venha abrir para nós. Uma de minhas amigas está machucada.”- gritou José para o homem do lado de fora.
Ele fez um sinal de positivo com o polegar e saiu em direção a entrada da escola.
Passado alguns minutos eles escutaram mais barulho no auditório e foram ver se era a ajuda chegando. A diretora, seguida da coordenadora e do zelador entraram furiosos e quando viram Bárbara no chão foram a seu socorro tirando sua atenção dos demais. Aproveitando o momento Artur enfiou o tabuleiro em sua mochila.
O zelador correu para cima do palco e desaparecendo atrás da cortina acendeu as luzes. A coordenadora e a diretora se ajoelharam ao redor de Bárbara.
“O que aconteceu aqui?” – perguntou a diretora.
“Nós só estávamos brincando. Fechamos as cortinas e a Bárbara começou a gritar. Pela escuridão não conseguimos encontrar a porta. Acho que ela teve um ataque e caiu.” – respondeu Artur, recebendo olhares fulminantes de José e Caio.
“Direto para a diretoria, os três.” – resmungou a coordenadora.
Clique no link abaixo para ler a parte 2.
Posted by Paulo Enrique Garcia
A babá e o palhaço
Susy chegou pontualmente às nove da noite na casa onde iria cuidar de duas crianças de três e cinco anos enquanto seus pais iriam a um jantar de negócios em uma cidade vizinha.
Depois de dar as explicações para o casal saiu da casa deixando Susy com as crianças que já haviam ido deitar-se, o que evitou que ela conhecesse as crianças ou seu quarto.
Algum tempo depois ela escutou choro de crianças no andar de cima onde ficavam os quartos e foi lá ver o que era. Chegando lá encontrou as duas meninas chorando muito.
“O que foi?” – perguntou Susy.
“Eu não gosto de palhaços.” - disse uma delas estendendo a mão para um canto do quarto.
Susy levou um susto ao ver um boneco de palhaço do tamanho de uma pessoa adulta. Segundos após recuperar do susto ela também ficou com medo, pois aquele boneco era muito assustador. Pensou por que os pais deixariam um boneco tão feio no quarto das meninas. Ela sentou e cantou canções para as duas até elas voltarem a dormir. Depois disso voltou para o primeiro andar da casa e foi assistir televisão.
Um estouro acompanhado do choro das meninas minutos depois alertou novamente a babá. Ela correu para o quarto onde as meninas encontravam-se chorando da mesma maneira de ante.
“Vocês tem que voltar a dormir. Ainda estão com medo do palhaço?
“Ele estourou um balão pra nos assustar.”
Susy olhou para o chão e viu o balão estourado, uma agulhada no estomago a deixou preocupada. Ela olhou para o palhaço uma vez mais e pensou que ele estava em outra posição da primeira vez que ela o viu. Ela também ficou com medo e disse para as meninas que iria pedir para os pais virem embora. Desceu as escadas e pegou o telefone que estava na parede, mas estava sem linha. Foi até sua bolsa, pegou o celular e digitou o numero deixado pelos pais das crianças, a mulher atendeu.
“Oi aqui é a Susy, eu estou ligando porque as meninas estão com muito medo. Eu queria saber se eu posso tirar ou cobrir aquele boneco de palhaço gigante lá no quarto delas.”< “O que? Nós não temos nenhum boneco de palhaço em casa.” Somente ai Susy deu-se conta que não mais ouvia o choro das crianças e saiu em disparada para a escada. O suor frio descia pela sua testa, seu coração disparado e a boca seca deixam clara a sensação de pavor que ela sentia naquele momento. Cada degrau da escada parecia ter quilômetros, pois ela queria ver as crianças e saber se estava tudo bem. A única coisa que a mãe da criança escutou foi um grito e o telefone caindo no chão. O casal voltou para casa imediatamente e quando chegaram encontraram as duas crianças e a babá mortas. Todas tinham seus rostos pintados de palhaço e um balão de hélio amarrado no braço.
Posted by: Paulo Enrique Garcia
terça-feira, 20 de outubro de 2015
Lenda do Guaraná
A lenda diz que na floresta Amazônica, um casal de índios da tribo Maués, viviam juntos a muitos anos, mais sua felicidade não era completa porque não tinham filhos.
Certo dia resolveram pedir ajuda a Tupã para dar-lhes uma criança.
Tupã atendeu o pedido do casal, e logo a índia deu a luz a um lindo menino, e deram o nome de curumim.
Curumim cresceu e se tornou uma criança querida e admirada por toda a tribo.
Porem era muito invejado por Jurupari, o Deus da escuridão e espírito do mal que decidiu matá-lo.
Certo dia, Curumim estava coletando frutos na floresta, e Jurupari aproveitou para se transformar numa serpente venenosa e picou o menino que morreu em seguida.
Trovões ecoaram por toda a aldeia, e relâmpagos luziam no céu em protesto.
A mãe de curumim, entrou em desespero ao encontrar seu filho morto, entendeu que os trovões eram uma mensagem de Tupã que dizia para plantar os olhos da criança e que deles nasceria uma nova planta, dando saborosos frutos, que fortaleceria os jovens e revigoraria os velhos.
Foi então que os índios, plantaram os olhos de curumim em um lugar da floresta e regavam todos os dias.
Logo mais, nesse mesmo lugar onde foi enterrado os olhos de curumim, nasceu o Guaraná, cujo fruto negros como azeviche, envoltos por uma orla branca em sementes rubras, que se assemelha muito aos olhos dos humanos.
E foi assim que nasceu o Guaraná.
Fonte: Lendas do Brasil
sexta-feira, 18 de setembro de 2015
O Cavaleiro de Jaraguá - (GO)
Diz que, na cidade de Jaraguá, existe uma casa mal-assombrada na rua das Flores.
Segundo os moradores, não só da casa, como do quarteirão, durante a noite ouve-se o barulho de um cavalo marchando e o tilintar de suas esporas.
Alguns relatam que já viram um cavaleiro com trajes antigos sobre o tal cavalo dentro da casa.
Fonte: R.Pedroza
quinta-feira, 17 de setembro de 2015
Demônio Ceifador
O Demônio Ceifador é uma criatura de existência não provada que supostamente seria responsável pelos estranhos círculos que freqüentemente aparecem nas plantações inglesas. Os círculos feitos pelo Demônio Ceifador teriam perfeição milimétrica. A primeira menção ao Demônio Ceifador foi feita por um jornal tablóide inglês em 1678. A matéria foi publicada com o título de DEMÔNIO CEIFADOR: ou NOTÍCIAS ESTRANHAS DE HARTFORD-SHIRE. A matéria descrevia um rico fazendeiro e um pobre lavrador. O fazendeiro desejava contratar o pobre lavrador para que cortasse sua plantação de aveia. O lavrador ofereceu um preço pelos seus serviços que o fazendeiro considerou muito alto. O fazendeiro ofereceu uma quantia muito baixa para o lavrador. O lavrador aceitou para não perder futuras contratações por parte do fazendeiro. No entanto, o fazendeiro recusou os serviços e falou que o Demônio Ceifador cortaria os pés de aveia. Durante a noite, o campo de aveia do fazendeiro foi visto por várias pessoas em chamas. O fazendeiro surpreso desconfiou do lavrador. Mas na manhã seguinte quando foi observar os pés de aveia, eles estavam perfeitamente cortados. O Demônio Ceifador quis provavelmente exibir sua habilidade.
Fonte: Carlos Donizetti de Carvalho Júnior
quarta-feira, 16 de setembro de 2015
Succubus

é um demônio com aparência feminina, que invade o sonho dos homens. Fazendo isso, elas podem corromper totalmente a pessoa.
Succubus são demônios que se alimentam da força sexual das pessoas.Quando estes demônios invadem o sonho de uma pessoa eles tomam a aparência do desejo sexual deles,os atacados tem a melhor experiência sexual de sua vida nesse sonho e a energia vindo do prazer do atacado é sugada pelo succubus.
As Succubus são descritas:
- Como mulheres lindas
- Com asas de morcego
- Seios Fartos
- Algumas vezes possuem chifres
- cascos.
Quando vistas nos sonhos nenhum homem consegue resistir e mesmo depois de acordado elas continuam na sua cabeça, sugando a energia do atacado, em alguns casos o homem fica tão apaixonado que morre por não poder mais ter a bela mulher.
Bom Geralmente elas atacam os homens em torno da madrugada.
Então tenha cuidado com seus sonhos, talvez aquela bela mulher que apareça para você seja um demônio, querendo apenas sugar sua energia até sua morte.
segunda-feira, 14 de setembro de 2015
Bicho-Papão
O bicho-papão é uma figura fictícia mundialmente conhecida. É uma das maneiras mais tradicionais que os pais ou responsáveis utilizam para colocar medo em uma criança, no sentido de associar esse monstro fictício à contradição ou desobediência da criança em relação à ordem ou conselho do adulto. Desde a época das Cruzadas, a imagem de um ser assustador já era utilizada para gerar medo nas crianças. Os muçulmanos projetavam esta figura no rei Ricardo, Coração de Leão, afirmando que caso as crianças não se comportassem da forma esperada, seriam levadas escravas pelo melek-ric (bicho-papão): “Porta-te bem senão o melek-ric vem buscar-te”. A imagem do bicho-papão possui variações de acordo com a região. Segundo a tradição popular, o bicho-papão se esconde no quarto das crianças mal educadas, nos armários, nas gavetas e debaixo da cama para assustá-las no meio da noite. Outro tipo de bicho-papão surge nas noites sem luar e coloca as crianças mentirosas em um saco pra fazer sabão. Quando uma criança faz algo errado, ela deve pedir desculpas, caso contrário, segundo a lenda, receberá uma visita do bicho-papão.
Lenda do Açai




















